Escola Profissional de Anadia: Área vitivinícola tem cada vez menos procura

O ano letivo passado foi algo atribulado para a Escola Profissional de Anadia. O tão desejado Centro Tecnológico foi primeiramente aprovado para, logo depois, ser reprovado. Adriano Aires, diretor da escola, confirma que voltaram a candidatar-se. O processo, afirma, não está bem feito.

“Os resultados deviam ter sido publicados em setembro do ano passado e só saíram em dezembro. Tivemos 10 dias para reclamar, o que cumprimos, e até agora não tivemos mais nenhuma resposta. Quase que podemos dizer que a forma como o processo funciona é vergonhoso. Não esperamos que esteja a funcionar no próximo ano letivo”, explica o diretor.

A segunda pedra no sapato deste ano letivo que está prestes a terminar foram os transportes escolares. É uma nova empresa a fazer este transporte, fruto de um acordo convencionado com a CIM Aveiro, e que demorou a arrancar sem grandes percalços, o que transtornou bastante nos primeiros meses.

“Tirando estas duas questões foi um ano letivo com resultados bons, com uma taxa de empregabilidade muito boa e em que as incertezas trazidas pela pandemia já foram totalmente ultrapassadas. Temos tido muitas empresas a procurar a escola”, afirma.

Os subsídios atribuídos aos alunos, no que diz respeito aos transportes e alojamento por exemplo, também melhoraram. De momento conseguem ter transporte gratuito e um valor de alojamento que permite alargar o território de proveniência dos alunos.

No próximo ano letivo a oferta formativa manter-se-á igual e continuam a lamentar a falta de procura no que toca aos cursos de viticultura.

“A orientação vocacional não existe no nosso país. Os alunos não são encaminhados conforme as suas apetências técnicas, as suas expectativas e até as necessidades do mercado de trabalho. Além disso entendo que o tecido empresarial também devia ser mais exigente com as escolas, porque são uma grande parte interessada. O Curso de Técnico Vitivinícola, por exemplo, está desenquadrado daquilo que os alunos procuram e, por isso, o curso não tem a procura que desejávamos”, afirma.

Neste momento frequentam a Escola Profissional de Anadia um total de 285 alunos divididos em 14 turmas, o número certo para que todos estejam confortáveis nas instalações e condições oferecidas.

O corpo docente também se tem mantido estável, se bem que às vezes é difícil segurar todos os da área tecnológica, diz, porque há muitas oportunidades no mercado.

“A escola precisa de mais. E os professores também. No entanto, dignificar a carreira docente não é só com melhores salários, é preciso que não nos esqueçamos”, disse.

“Esta escola diz-me muito e eu gosto muito de cá estar. Gostava de deixar a escola com a garantia de percurso com a dignidade que tem tido. Isto é um lugar difícil de gerir, principalmente na sua dimensão humana. Não é um lugar de formação técnica. É um sítio onde formamos homens e mulheres”, disse.

Sobre a possibilidade de sair da direção da escola, não tem dúvidas em afirmar que, quando sair, sai “tranquilo”: “Orgulho-me do trabalho humano que temos feito. Entraram aqui jovens sem rumo que hoje têm percursos exímios”.

Para o próximo ano letivo tem a ambição de reforçar a cozinha no que toca a espaço e equipamentos, num investimento que poderá ultrapassar os 150 mil euros, mas que é uma necessidade à qual não pode fugir. Ter mais alunos na área da viticultura também é algo que não esconde almejar. Os cursos na área da saúde e tecnologia são aqueles que têm, atualmente, mais procura.

Adriano Aires é diretor desta escola desde 1991, ano da sua fundação. Na altura deu este passo e criou esta escola enquanto diretor da Estação Vitivinícola da Bairrada, quando percebeu que havia uma necessidade no mercado de fundar técnicos nesta área. Área esta que, mesmo numa região como a Bairrada, tem cada vez menos procura.

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais