Gonçalo Gomes: “Sonhos? Ter muitas músicas minhas”

“A música foi nascendo e crescendo comigo”, é a forma que Gonçalo Gomes, um jovem promessa no mundo da música, nos começa por explicar aquilo que passou de ser um simples passatempo a uma esperança de carreira profissional.

Nasceu há 19 anos em Anadia e cedo se apercebeu que precisava de aprender a cantar. Começou por fazer paródias cantadas, pegava em músicas de outros cantores e gravava no seu computador letras cómicas. A curiosidade de saber como se construía um tema sempre esteve lá e o sonho de gravar de forma profissional também, mesmo que escondido.

“A dada altura vi uma amiga cantar no sarau da escola, além de ter muitas pessoas à minha volta de alguma forma ligadas à música. Pensei que se calhar também podia fazer alguma coisa na área e comecei a aprender. Gosto muito de me expressar e a música é a melhor forma de o fazer”, diz-nos.

Apesar de já ter tido uma banda no secundário, admite que prefere tocar sozinho. Só de há três anos para cá é que começou a pensar mais sério no assunto, depois de ser incentivado pelo professor de canto, que sempre lhe disse que tinha mais capacidades do que encarar a música apenas como um passatempo.

“Sei que não lhe posso chamar uma carreira, que ela ainda não existe, mas quero pensar que está a ser construída. No início tive medo, estava reticente, porque as primeiras opiniões que fui tendo não foram as melhores, o que me levou a querer melhorar”, confessa.

O seu primeiro concerto ao vivo aconteceu em 2022, com o Coral da Bairrada e, depois disso, muitos outros palcos se seguiram. Recorda também a atuação, nesse mesmo ano, no Festival Anadia Jovem, o maior concerto onde esteve até hoje. Não tem dúvidas que foi uma noite inesquecível, desde o público à peripécia de uma corda de uma guitarra ter partido antes de entrarem em palco.

“O medo de ser julgado e a falta de confiança são inevitáveis. O pior de qualquer artista é tentar agradar a todos, mas temos que saber que não é possível, apesar de a honestidade nos outros ser importante. No meu caso tive a segurança de uma família e amigos que sempre me apoiaram e apoiam. Tenho sorte de ter os meus pais ao meu lado, sei que infelizmente não acontece com toda a gente”, diz.

Gonçalo Gomes passou ainda pelo programa The Voice, na RTP, onde chegou à fase das batalhas. Recorda como uma experiência incrível, além do que pôde imaginar. Foi a sua primeira vez na televisão, o que admite que o possa ter retraído e sabe que não mostrou todo o seu potencial. Ficou recentemente em 3º lugar no Festival Metamorphose.

Frequenta Estudos Artísticos no ensino superior e conta com o apoio da Move Music e João Belinho, a produzir as suas músicas e distribuí-las.

É já no próximo dia 18 de outubro que apresentará nas várias plataformas digitais a sua primeira música original. “Heróis” é uma homenagem a um tio que faleceu e era muito importante para Gonçalo. O enredo do videoclipe foi ainda totalmente escrito pelo anadiense.

“Quando aconteceu estava a estudar um poema de Fernando Pessoa e a palavra heróis estava sempre a surgir. Este tema fala sobre o facto de a vida ser passageira. Espero que esta letra possa ajudar outras pessoas. Sei que, se o meu tio ouvisse, ficaria orgulhoso. Uma das últimas conversas que tivemos foi sobre eu lançar a minha própria música”, confessa.

O processo de criação de um tema é complexo: Gonçalo escreve a letra, leva ao produtor, ouvem-se os primeiros acordes em estúdio e tentam encontrar um ritmo. As inspirações que leva são várias e vão desde Joji, Salvador Sobral, Rita Rocha ou Diogo Piçarra.

“Não sei se sou um artista. Um artista faz arte e eu não sei se já estou nesse patamar. A humildade é algo importante para mim e sempre que tiver oportunidade de ajudar alguém vou fazê-lo porque sei o que é começar do zero. Aliás, um dos meus sonhos é ter a minha própria agência para novos talentos. Para mim a música não é uma competição, é uma partilha”, afiança.

Para já, conta-nos, tem mais duas músicas produzidas e que serão lançadas brevemente. Sabe que fazer música é difícil, mas torna-se mais fácil se se trabalhar com alguém que partilha a mesma paixão.

“Sinto que falta segurança a muitas pessoas para saírem da sua zona de conforto e gostava muito que mais pessoas o fizessem. Que arriscassem. Não há mal em falhar, mas sim em não tentar”, diz.

“Sonhos para o futuro? Ter uma carreira sólida na música. Ter muitas músicas minhas. Subir a um grande palco”, termina.

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais