Opinião pela CDU Anadia: Ainda o Monte Crasto.

Foi recentemente aberto ao público o acesso ao Monte Crasto, após extensas obras de requalificação.

Finalmente foi cumprida uma antiga aspiração dos Anadienses.

No Plano de Atividades da Camara de Anadia, datado de 1971 pode ler-se: Cremos ter chegado o momento próprio para que a obra de urbanização do estupendo Miradouro que é o Monte Crasto tenha o seu arranque definitivo… Dando satisfação ao que ficara estabelecido numa reunião, em tempo realizada, com os industriais de vinhos espumantes naturais do nosso concelho, já temos em nosso poder o estudo primário ou  esbocete da estalagem que há-de encimar o soberbo Mirante…. Será um melhoramento cujos trabalhos de execução deverão ter o seu começo em 1971.

As obras, na minha opinião, talvez demasiado invasivas, tendo em conta os ainda não foram devidamente catalogados os vestígios arqueológicos que remontam a várias épocas, desde a pré-história (como machados de pedra polida) aos tempos da ocupação romana e a períodos mais recentes da nossa história, transformaram aquele espaço há muito votado a abandono num lugar aprazível.

Podemos caminhar por zonas empedradas, apreciar as floreiras em tijolo e desfrutar de mesas estrategicamente colocadas à sombra das árvores frondosas ou usufruir das vantagens de um circuito de manutenção que contempla 13 estações distribuídas por toda a zona envolvente.

A capela de Nossa Senhora da Penha de França brilha ao sol pronta para acolher a próxima festa da Senhora das Febres que se realizará em Setembro.

O palco espera ainda as obras que, segundo os painéis lá colocados, irão dar origem a um centro de interpretação.

O cemitério espera também obras de requalificação e manutenção que o tornem visitável já que o seu valor histórico não pode ser descurado. A Capela de S. Bento, o Mausoléu dos Marqueses da Graciosa, datado de 1879, construído em calcário branco e um dos maiores do género existentes em Portugal, e mesmo as pequenas lápides que recordam anadienses de outrora são marcos indeléveis da história da nossa terra.

Talvez o miradouro fosse o local ideal para colocar uma placa que recordasse o anadiense Manuel S. Alegre (1840-1864) que no seu romance Távora- Romance do séc. XVIII assim descrevia o que se avistava lá do alto: N’uma bella tarde de Agosto d’ esse anno (1755)  estava recostado no Crasto, junto á ermida da Nossa Senhora da Penha de França….e fitava os olhos em direcção a Carvalhais, aldeola fronteira ao Castro, môrro em cujas faldas é sita Anadia, a capital da amena Bairrada. …pois do Crasto se oferecem à vista primorosos painéis delineados pelo dedo artífice e infinito do Creador. (Coimbra, Imprensa Literária 1863 espólio da Santa Casa da Misericórdia, Anadia).

Parafraseando o filósofo francês Paul Valéry o passado está cheio de futuros que não se chegaram a cumprir a requalificação do Monte Crasto é um presente e um futuro que podem cumprir um pouco do passado da nossa terra.

 

Fátima Flores, militante do PEV, eleita na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Arcos e Mogofores

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais