Abriu finalmente a consulta pública ao troço da Linha de Alta Velocidade que passa pelo território de Anadia e confirmaram-se, na documentação disponibilizada, todas as suspeitas e alertas recentes do PS-Anadia. Sempre dissemos que era necessário um outro traçado alternativo, menos oneroso para o território, e que a Câmara Municipal de Anadia tinha competência para o negociar.
No entanto, o debate público tem estado completamente inquinado nesta matéria, e bem se percebe agora porquê. Em Anadia, quer-se fazer crer às pessoas que a Câmara Municipal tem capacidade para fazer parar a LAV, mas que já não a tem para negociar e modificar concretos traçados que passam pelo seu território… Isto nunca fez sentido nenhum, e só discute assim quem tem algo a esconder como agora se comprova.
O PS-Anadia alertou no passado mês de Março, que a Câmara Municipal teria recebido um outro traçado, alternativo ao que se falava ir passar pelas vinhas de S. Lourenço do Bairro, e sobre o qual nada dizia. Ora, as Infraestruturas de Portugal vêm agora colocar, preto no branco, que efectivamente apresentaram à Câmara Municipal de Anadia uma proposta de traçado, que designam de Variante de Anadia, “visando a minimização da interceção de áreas de vinha e adegas da Região Demarcada da Bairrada, em resultado da solicitação da Câmara Municipal de Anadia e da Comissão Vitivinícola da Bairrada”, e apesar da “maior afetação de áreas urbanas”.


Por conseguinte, a Câmara Municipal de Anadia bem que pode agora apelar à participação de toda a gente na consulta pública, mas teria sido muito melhor se desde há um ano a esta parte tivesse informado adequadamente a população das alternativas em cima da mesa e a partir daí tivesse trabalhado com todos. A forma como a CMA conduziu este processo até aqui, sonegando informação muito relevante aos anadienses e arrastando toda a gente para uma discussão fictícia de tudo ou nada, não augura nada de bom e já afunilou em demasia as possibilidades reais.
Como sempre o PS-Anadia disse, caberia à Câmara, em devido tempo, ter discutido traçados e não a existência da própria linha de alta velocidade; deveria ter indicado zonas do seu território por onde pudesse passar a linha causando menor prejuízo, e poderia ter continuado a recusar a alternativa apresentada forçando uma outra possibilidade, ou poderia ter escolhido alguma das possibilidades de forma transparente e responsável.
Resultando, por último, mais uma coisa perfeitamente clara: pelos vistos, uma Câmara Municipal tem mesmo competência e capacidade de persuasão para modificar traçados…, como sempre dissemos.
Infelizmente fica por saber até que ponto poderia Anadia ter, de igual modo, rejeitado o traçado alternativo proposto pelas IP – Variante de Anadia – e ter contribuído para que se encontrasse um melhor traçado para o concelho.

